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John Desmond Bernal
Cristalografia de raios X
Nascimento10 de maio de 1901
Nenagh
Morte15 de setembro de 1971 (70 anos)
Londres
NacionalidadeBritânico
CidadaniaReino Unido
Filho(a)(s)Martin Bernal
Alma materEmmanuel College
Ocupaçãofísico, filósofo, inventor, professor universitário, filósofo da ciência, cristalógrafo, biofísico, escritor, historiador, naturalista
DistinçõesMedalha Real (1945), Guthrie Lecture (1947), Prêmio Lenin da Paz (1953), Bakerian Lecture (1962)
Empregador(a)Birkbeck, Laboratório Cavendish, Royal Institution
Orientador(a)(es/s)William Henry Bragg
InstituiçõesBirkbeck College
Religiãoateísmo

John Desmond Bernal FRS[1] (Nenagh, 10 de maio de 1901Londres, 15 de setembro de 1971) foi um cientista irlandês, nascido em Nenagh, no Condado de Tipperary. Destacou-se por seus trabalhos pioneiros no âmbito da cristalografia de raios X.

Após realizar estudos na Universidade de Cambridge e licenciar-se em matemática e ciências em 1922, especializou-se em ciências naturais. Continuou seus estudos de pós-graduação sob a tutela de Sir William Bragg nos laboratórios Davy-Faraday em Londres. Em 1924 determinou a estrutura molecular do grafite.[2]

Em seu grupo de pesquisas em Cambridge, Dorothy Crowfoot Hodgkin deu seus primeiros passos em cristalografia, campo em que receberia o Prêmio Nobel de química de 1964. Em 1934, Bernal e Hodgkin tomaram as primeiras fotografias de raios X de cristais proteicos. Outros cientistas destacados que estudaram com John Desmond Bernal incluem Rosalind Franklin, Aaron Klug e Max Perutz.[2]

Mais tarde foi professor de Física em Birkbeck College, parte da Universidade de Londres, e tornou-se membro da Royal Society, a mais antiga sociedade científica do Reino Unido.[2]

Foi também ele quem propôs, em 1929, a chamada esfera de Bernal, baseada em um asteróide oco que se usaria como abrigo de longa duração em missões de colonização do espaço.[2]

Sua vida política foi muito ativa, sobretudo nos años 30, após abandonar o Partido Comunista da Grã-Bretanha em 1933. De acordo com o autor de sua biografia, Maurice Goldsmith, não teria saído do partido, mas perdido sua carteira de militância e negligenciado sua renovação. Havia sido militante nas fileiras comunistas desde 1923.[2]

Em 1939 publicou A função social da ciência, possivelmente o primeiro texto referente à sociologia da ciência.[2]

Recebeu o Prêmio Lênin da Paz em 1953 por seus trabalhos internacionalistas.[2]

Segundo seus biógrafos, suas convicções ideológicas determinaram que nunca recebesse o Prêmio Nobel, em que pese o fato de que vários de seus discípulos e companheiros de pesquisas foram laureados.[2]

Trabalho durante a Segunda Guerra Mundial

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Participou da invenção dos chamados portos pré-fabricados Mulberry, utilizados no desembarque da Normandia.[2]

Após orquestrar o Dia D, J. D. Bernal desembarcou na Normandia no dia seguinte. Seu amplo conhecimento da região se devia tanto à investigação por sua própria conta em bibliotecas inglesas quanto a ter veraneado em lugares próximos. A Marinha Britânica designou-o transitoriamente para o cargo de comandante para minimizar os problemas relacionados com o fato de ter um civil no comando das forças de desembarque.[2]

Sua família paterna era de origem judaica Sefardita, embora seu pai Samuel fosse católico; sua mãe, cujo nome de solteira era Elizabeth Miller, era norte-americana convertida ao catolicismo, licenciada pela Universidade de Stanford e jornalista.[2]

Martin Bernal, autor do livro Atenea Negra, é seu filho com Margaret Gardiner. J. D. Bernal teve outros três filhos, dois com Agnes Eileen Sprague com quem se casou em 1921, e mais outros com Margot Heinemann.[2]

Publicações

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A obra de Bernal, de 1929, The World, the Flesh and the Devil, foi chamada de "a tentativa mais brilhante de previsão científica já feita" por Arthur C. Clarke.[3] É famosa por ter sido a primeira a propor a chamada esfera de Bernal, um tipo de habitat espacial destinado à residência permanente. O segundo capítulo explora mudanças radicais nos corpos e na inteligência humanas e o terceiro discute o impacto dessas mudanças na sociedade.

Em The Social Function of Science (1939), ele argumentou que a ciência não era uma busca individual pelo conhecimento abstrato e que o apoio à pesquisa e desenvolvimento deveria ser dramaticamente aumentado. Eugene Garfield, criador do Science Citation Index, disse: "sua ideia de um centro centralizado de reimpressão estava em meus pensamentos quando propus pela primeira vez o ainda inexistente SCI in Science em 1955."[4]

Science in History (1954) é uma monumental tentativa em quatro volumes de analisar a interação entre ciência e sociedade. The Origin of Life (1967) apresenta as ideias atuais de Oparin e Haldane em diante.

Outras publicações incluem:

Referências

  1. Hodgkin, D. M. C. (1980). «John Desmond Bernal. 10 May 1901-15 September 1971» (PDF). Biographical Memoirs of Fellows of the Royal Society (em inglês). 26. 16 páginas. doi:10.1098/rsbm.1980.0002. Consultado em 20 de janeiro de 2013 
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Sage: A Life of JD Bernal (1980) Biografia escrita por Maurice Goldsmith
  3. Clarke, Arthur C. (2000). Greetings, Carbon-Based Bipeds. [S.l.]: St Martin's Griffin, New York  cited in Brown 2005, p. 70
  4. Eugene Garfield. «Tracing the Influence of JD Bernal on the World of Science through Citation Analysis» (PDF). Consultado em 10 de março de 2011 
  5. Scholes, Robert; Rabkin, Eric S. (1977). «Bibliography III: Science Backgrounds». Science Fiction: History, Science, Vision. London: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-502174-5 

Ligações externas

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O Wikiquote tem citações relacionadas a John Desmond Bernal.
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre John Desmond Bernal


Precedido por
Charles Robert Harington e David Brunt
Medalha Real
1945
com Edward James Salisbury
Sucedido por
Cyril Dean Darlington e William Lawrence Bragg